O momento presente é sempre perfeito!

Tempo de leitura: 5 minutos

O momento presente é sempre perfeito. Há uma radicalidade poderosa nesta frase. Mas eu sei que em muitos momentos da nossa vida pode ser bem difícil tomar esta formulação como verdade. Vivemos experiências muito dolorosas pra entender isso assim de bate-pronto. Mas a dificuldade maior reside na mente, em sua mania de julgar a tudo e a todos o tempo todo.

A verdade é que a mente pode ser nossa grande aliada ou uma grande inimiga. E quanto mais conscientes estivermos de seus processos e seu funcionamento, mais chances teremos de convidá-la pra jogar no nosso time, ao nosso favor e não contra nós. Pois é... se bobearmos ela vira nossa adversária mesmo. E o pior é que ela faz isso achando que está nos protegendo.

Os perigos que nos cercam

Uma das funções mais importantes da mente é justamente esta: nos proteger! O problema é que pra isso, a mente entende que precisa colocar muito foco (mas muito mesmo!) e registrar com muita intensidade na memória qualquer coisa que ela interprete como ameaça.

E pra descobrir o que é ameaçador ou não ela começa a julgar tudo a partir do registro que ela tem sobre nossas experiências passadas. Consultando seus arquivos passados – e as semelhanças que eles têm com as situações que ela detecta no momento presente ou imagina prováveis no futuro – ela faz suas análises e seu julgamento. Se algo nos causa dor (e ela interpreta até pequenos desconfortos como dor), então está decretado que aquilo é ruim, é mal, é perigoso, é ameaçador. Só o que nos dá alegria, conforto e bem estar é que é bom, é legal, é seguro, é desejável.

Quando ela conclui que algo é ruim e representa um perigo, ela aciona um sistema de segurança chamado MEDO. O medo é uma emoção humana básica cuja manifestação é uma sensação física que nos coloca em alerta. Ora, é super importante pra nossa sobrevivência que tenhamos um sistema de alerta e proteção.

O problema é que a mente e o medo são radicais e desmedidos demais. A avaliação que eles fazem dos acontecimentos e suas previsões, na maior parte das vezes, não correspondem à realidade. E muitas vezes, mente e medo ficam maiores que nós mesmos, que nossa essência. Neste momento, suas boas intenções começam a atuar como aquelas, que, bem sabemos, costumam encher o inferno. Ou seja, nossa própria mente e o medo, que deveria nos proteger, trabalham contra nós, atrapalhando a nossa vida.

Contrastes e Contradições

A experiência humana é uma experiência de contrastes. Não dá pra querer viver só um lado da moeda. Uma coisa não existe sem a outra. Não existe luz sem sombra. Não reconheceríamos o frio se não conhecêssemos o calor. E não daríamos tanto valor à alegria se nunca tivéssemos experimentado a tristeza. Evitar um lado é evitar a experiência. É evitar a vida.

A experiência humana é uma experiência de contradições. Sim, queremos e devemos nos orientar na direção do amor, da alegria, da satisfação, do bem estar. Mas é na lida com a dor, com a dificuldade, com o desconhecido, com o desafio que aprendemos mais. E o aprendizado é o alimento do nosso crescimento, da nossa evolução.

Crescimento x Estagnação

Negar e evitar os sentimentos que a mente julga como ruins é negar nossas oportunidades de aprendizado e crescimento. É escolher pra nós mesmos ficarmos fadados à estagnação. E viver estagnado é viver infeliz.

Pra conseguir ficar estagnado, a gente precisa reprimir com muita intensidade a necessidade e o impulso natural que todo ser humano tem de crescer, de ser melhor, de evoluir. Temos este impulso porque o processo de crescimento e evolução dá sentido à nossa vida. E encontrar sentido para existir a cada dia é o maior gerador de felicidade que existe.

pessoa contemplando o momento presente no desertoO momento presente é um presente!

Pensando em tudo isso, não fica um pouco mais fácil entender a perfeição que existe em todos os momentos? Se reconhecermos qualquer dificuldade, perrengue ou dor como oportunidades de crescimento e evolução humana e espiritual, reconheceremos o momento presente como um grande presente.

Quando enxergamos a potência de aprendizado contido em cada momento da nossa vida como um verdadeiro presente, conseguimos impedir a nossa mente de insistir em viver no passado ou no futuro à procura das ameaças. Conseguimos viver inteiros e desfrutando o momento, fruindo a vida.

E se a gente expandir um pouquinho mais a nossa consciência, veremos que isso vale até pras grandes tragédias. Devemos sim, o quanto estiver ao nosso alcance, cuidar uns dos outros, do planeta e evitar que elas aconteçam. Mas depois do fato consumado... O assustador, o imponderável, o imprevisível, o inexplicável, o incalculável nos ensina tanto sobre o mistério que é existir. Suportar e transformar o que seria certamente insuportável em força é muito grandioso e muito bonito e muito poderoso.

A gente fez um vídeo sobre como os estados depressivos e de ansiedade estão relacionados à permitirmos que a nossa mente viva demais no passado ou no futuro e se ausente do momento presente. Assiste aqui pra entender um pouquinho mais estes processos.

Se este artigo te tocou de alguma forma, me deixa saber. Não tem nada que dê mais sentido pra minha vida do que saber que todo o meu movimento pra aprender cada vez mais sobre nós seres humanos e pra compartilhar estes conhecimentos estejam contribuindo com o crescimento de outras pessoas!

Se você gostou deste texto, pode se interessar também pela reflexão que fiz aqui sobre a linha tênue que separa a nossa busca por coerência e o risco de nos tornarmos pessoas inflexíveis.

 

3 Comentários

  1. Avatar

    Parabéns aos criadores do blog
    Parece estar fantástico, muito conteúdo, rs, vou demorar um tempinho pra ver tudo.
    Parabéns… Sucesso 😘😘

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    1. Avatar

      Leila, agradecemos muito pelo carinho!!
      Ainda não tem tanto conteúdo não… rs
      Estamos no comecinho! Com certeza você vai conseguir acompanhar tudinho!
      Esperamos que curta!!

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  2. Avatar

    Gostei do que fora abordado. Me fez lembrar a filosofia do yin e yang, do equilibrio entre o bem e o mal. Ou o da valorização que só se obtem através da perda.

    Realmente é passando por essas consternações que reconhecemos os bons momentos, ou seja, faz parte da vida e não devem ser evitadas, mesmo com o cérebro incentivando de outra forma.

    Esse texto me motivou. 🙂

    Danilo

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